
Dos mandatarios se abrazan tras firmar el memorando de entendimiento sobre tierras raras (Foto: Instagram)
Brasil e Índia consolidaram um memorando de entendimento para fortalecer a cooperação na exploração de terras raras, combinando transferência de tecnologia, inteligência artificial (IA) e iniciativas de sustentabilidade. O acordo prevê a criação de mecanismos conjuntos que acelerem o desenvolvimento de projetos de extração, beneficiamento e gestão ambiental, com o objetivo de tornar ambos os países atores mais relevantes na cadeia global desses minerais críticos.
As terras raras englobam um conjunto de 17 elementos químicos, como neodímio, praseodímio e térbio, essenciais para a fabricação de ímãs de alto desempenho, baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e componentes de eletrónica avançada. A demanda por esses materiais tem aumentado exponencialmente nas últimas décadas, impulsionada pela transição energética e pela indústria de tecnologia da informação e comunicação.
No âmbito do acordo, Brasil e Índia criarão centros de pesquisa para compartilhar know-how em prospecção geológica e mapeamento de depósitos. A utilização de plataformas de inteligência artificial deve otimizar a identificação de jazidas, reduzindo custos operacionais e o tempo de estudo de viabilidade. Além disso, será desenvolvido um programa de treinamentos para engenheiros e técnicos, focado em métodos de extração de baixo impacto ambiental.
Os investimentos previstos incluem aportes públicos e privados destinados à compra de equipamentos avançados, softwares de análise de dados e instalações laboratoriais. A cooperação financeira envolverá instituições de fomento de ambos os países, com linhas de crédito favoráveis para empresas que adotem critérios rigorosos de responsabilidade socioambiental.
A dimensão sustentável do projeto é central: estão previstas diretrizes comuns para o tratamento de rejeitos, o uso racional de água e a recuperação de áreas degradadas após a atividade mineradora. Procedimentos de reciclagem de componentes eletrónicos serão incorporados para minimizar a extração primária, fechando o ciclo de valorização dos metais.
Do ponto de vista estratégico, a aliança entre Brasil e Índia busca diversificar a oferta mundial de terras raras, atualmente concentrada em alguns países da Ásia. O entendimento bilateral pretende reduzir a dependência de importações e reforçar a segurança de fornecimento para indústrias nacionais de tecnologia, defesa e energia limpa.
Para o futuro imediato, as equipes técnicas de Brasil e Índia planejam realizar um inventário conjunto dos principais depósitos em até 18 meses, seguido por projetos-piloto de extração em pequena escala. A expectativa é que, a médio prazo, surjam novas linhas de produção de componentes de alto valor agregado, gerando empregos especializados e promovendo inovação.


